quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sexo, Drogas, Rock'n Roll e Ditaduras


A década de 1960 foi palco de grandes agitações socioculturais pelo mundo. Época dos anos rebeldes, do “sexo, drogas e rock’n’roll”, de grandes revoluções comportamentais como o feminismo e até festivais musicais como o Woodstock.
No cenário político, o mundo ainda vivia o medo e a insegurança da Guerra Fria, conflito entre EUA e URSS que ameaçava eclodir a qualquer momento uma verdadeira guerra entre as duas superpotências do pós-guerra. Conforme conta Hobsbawm, “gerações inteiras se criaram à sombra de batalhas nucleares globais que, acreditava-se firmemente, podiam estourar a qualquer momento e devastar a humanidade”.
Essa guerra não eclodiu, mas apesar da ausência de guerras diretas entre os Estados Unidos capitalista e a URSS comunista, vários foram os conflitos e movimentos apoiados e financiados pelas duas potências no intuito de manter os países que compartilhavam de sua ideologia longe da ameaça inimiga. Segundo Emir Sader, “o mundo da segunda metade do século não assiste a nenhum choque armado direto entre as duas grandes potências, embora elas estivessem vinculadas a praticamente todos os conflitos bélicos locais - e foram dezenas – que povoaram a segunda metade do século XX”.
Não obstante, os EUA não conseguiram evitar a Revolução Cubana e a conseqüente implantação do sistema socialista por Fidel Castro em Cuba, ilha a 120 km do território do Presidente Nixon.
A partir daí, a manutenção do sistema capitalista no mundo ocidental passou a ser intensificada e acompanhada mais de perto pelos norte-americanos. Uma estratégia bastante usada pelos EUA foi o apoio e financiamento a golpes militares de direita na América Latina para sufocar possíveis movimentos comunistas inspirados pela Revolução Cubana. Segundo Sader, “não foi somente pela inserção direta do continente nos conflitos da Guerra Fria que a Revolução Cubana marcou tão fortemente a segunda metade do século na América Latina. Seu impacto mais direto esteve ligado às reformas que introduziu em Cuba, no momento em que se esgotava no resto do continente o ciclo econômico do segundo pós-guerra e se instalavam várias ditaduras militares como conseqüência dos conflitos gerados por uma nova conjuntura política”.

E o receio por parte dos EUA de que outros países latino-americanos se espelhassem em Cuba era real, pois Cuba, que passou a ser aliada da outra superpotência, a URSS, precisava e planejava implantar seu regime em outros países latinos para não ficar isolada. De acordo com Ricardo Rojo, “era a necessidade urgente, para Cuba, de reconstruir seus laços com a América Latina, mas estes laços já não se podiam estabelecer sobre a base de relações entre países de regime político diferente, mas unicamente a partir de revoluções socialistas nos referidos países. Em 1963, Guevara enfrentou resolutamente a realidade americana com a intenção de obter resultados nessa linha. Se a América Latina capitalista se recusava a coexistir com a Cuba socialista, Cuba encarregar-se-ia de ajudar a todos os revolucionários para que seus países deixassem de ser capitalistas”.
Para se ter uma idéia, sete dos dez países sul americanos enfrentaram ditaduras militares durante a Guerra Fria. Foram eles: Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Equador e Paraguai - no Peru sobrevivia a ditadura do general Velasco Alvarado, sem que se possa enquadrá-la na tipologia antevista por Nixon.
No Brasil, o regime militar foi implantado em 31 de março de 1964 e teve seu auge em 1968 com a edição do AI-5, que dava poderes extraordinários ao Presidente da República e suspendia várias garantias constitucionais. Com isso, o governo fortaleceu a chamada linha dura do regime militar.
O que seguiria a partir daí seriam os Anos de Chumbo, auge das repressões sobre quem não concordasse com o Regime. É nesse cenário que a Rede Globo se fortalece, estréia o Jornal Nacional e passa a ser o meio de comunicação mais poderoso do país. Carlos Eduardo Lins da Silva afirma que, “nesse meio tempo [de 1957 até 1976], a Globo realizou uma revolução técnica, gerencial e artística na televisão do Brasil. Não parecia que iria chegar a tanto quando entrou pela primeira vez no ar o Canal 4 do rio de Janeiro. Em menos de quatro anos, assumiria a liderança absoluta de audiência, a ponto de convertê-la em virtual monopólio e tornar comum a acusação de que se transformara numa espécie de um ministério extra-oficial da informação no país” Para o músico e compositor Chico Buarque de Holanda, que teve várias de suas obras censuradas pela ditadura, a Rede Globo foi além da censura oficial. Chico Buarque conta que, “Eles proibiam minhas músicas, a censura proibia algumas músicas minhas, isso que era oficial do governo. Agora a TV Globo se encarregou de ser mais realista [...] e reforçar essa censura proibindo o meu nome. Eu acho que ele (Roberto Marinho) é mais poderoso que esse cidadão Kane inclusive. O cidadão Kane nunca imaginou que tivesse esse poder todo. O Roberto Marinho hoje é a força política mais importante em um país de 150 milhões de habitantes. Nada se faz sem consultar o Roberto Marinho. É assustador”.
A situação descrita por Chico Buarque parece ilustrar a ficção de George Orwell e o seu “Grande Irmão”. Quando seu personagem Winston, habitante de Oceania diz que, “o nome do cidadão era removido dos registros, suprimida toda menção dele, negada sua existência anterior, e depois esquecido. Era-se abolido, aniquilado; vaporizado era o termo corriqueiro”.

sábado, 22 de maio de 2010

Jornal Nacional: A ferramenta da Ditadura


“Eram 19h56 quando o locutor Hilton Gomes anunciou: ‘O Jornal Nacional da Rede Globo, um serviço de notícias integrando o Brasil Novo, inaugura-se, nesse momento: imagem e som de todo o país’. O ‘Brasil Novo’ tinha a informar que Costa e Silva apresentara ‘o primeiro sinal da crise circulatória [na] quinta-feira’ da semana anterior. (Foi na quarta.) ‘Sentiu dor de cabeça e tonteira.’ (Perdeu a voz.) ‘Na sexta, chegou ao Rio passando mal.’ (Chegou com um quadro clássico de isquemia cerebral.) ‘Passou bem a noite e está em recuperação.’ (Estava prostrado na cama, tão paralítico e mudo quanto no sábado. Escondia o braço debaixo do travesseiro quando via que iam lhe aplicar mais injeções. Alimentava-se de líquidos e papas)”. GASPARI, Elio, A Ditadura Escancarada, p.105.

No dia primeiro de setembro de 1969 estreava na Rede Globo o Jornal Nacional, primeiro programa a ser transmitido em rede nacional no Brasil. O programa inaugurou um novo estilo de jornalismo na TV brasileira e seu surgimento coincide com o endurecimento do regime militar. Em pouco tempo, o jornalístico se tornou o principal, e às vezes o único, meio de informação dos brasileiros.
Logo em sua edição inicial, a TV Globo, já deu pistas sobre seu poder de distorcer fatos, além de sua aparente combinação com o regime militar.
Quanto à distorção dos fatos, o jornalista Bernardo Kucinski conta que, “a TV Globo vai além da mera distorção consciente dos fatos – ela tenta instituir a história, determinar o destino da nação. Para isso, cria continuamente uma realidade impostada e, em várias ocasiões, assumiu a vanguarda da arte de falsear e até substituir a realidade”.
Já em relação à parceria com o governo, Kucinski ainda completa que, “o Estado [...] conduziu um processo de exclusão das massas e silenciamento das oposições. Deu-se uma total mudança nos mecanismos ideológicos de persuasão, com o recuo dos jornais e a ocupação desse espaço pela Rede Globo de televisão”.
Sobre isso, temos também o depoimento de Inimá Simões que disse que, “coube à TV cumprir um papel encomiástico, louvaminheiro. Como já foi dito, ela foi o meio de comunicação escolhido para louvar as realizações da ditadura militar, do Brasil potência do general Médici, cuja imagem destinada à história (apesar de ter sido o presidente do período mais obscurantista da nossa história) é a do presidente-torcedor, com o radinho de pilha grudado na orelha, acompanhando transmissões esportivas e saudando a seleção tricampeã de futebol na volta do México.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A essência do espetáculo


“O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte. A verdade de que não passam de um negócio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem. Eles se definem a si mesmos como indústrias, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretores gerais suprimem toda dúvida quanto à necessidade social de seus produtos.”

O texto acima foi publicado em 1947 pelos sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer no livro “Dialética do Esclarecimento”. O cinema, ao qual eles se referiam, é o que hoje provavelmente entendemos como cinema clássico. “Aquilo que era cinema”, alguns mais entendidos na sétima arte devem pensar.

Me sinto obrigado a tocar nesse assunto pois, após três “espetáculos” seguidos a que assisti recentemente, me ficou claro o seguinte: O cinema (comercial) de hoje é espetacular!

E isso não é um elogio. Digo espetacular no sentido apocalíptico que o crítico francês Guy Debord utiliza para falar da nossa sociedade. O cinema produzido hoje para as massas parece que esqueceu que os fatores principais da sétima arte são, nada mais nada menos que: ROTEIRO e INTERPRETAÇÃO! E que me perdoem os fãs de efeitos especiais e histórias mirabolantes, mas ao que me parece, todo esse barulho que o cinema vem fazendo encobre totalmente a falta de personagens bem interpretados.

Semana passada, fui assistir ao filme “Alice no país das Maravilhas”. Muita cor, efeitos, belas filmagens, enfim: baita filme bonitinho, como provavelmente dirão a maior parte das garotas que forem assistir. Uma semana depois vi "Homem de Ferro 2". Confesso que nenhum dos dois fazem o meu tipo, mas enfim, por questões das mais diversas (não faço idéia) vi os dois.

Entre os dois “espetáculos”, fui ao teatro popular do SESI, na Av. Paulista onde vi, maravilhado, o espetáculo (agora sim uso o termo como elogio) “Tempo de Comédia”. Montagem e cenários perfeitos. Interpretações deslumbrantes, história hilária, realista e principalmente construtiva, com conteúdo.

O engraçado é que a história da peça de certa forma constroi sua comédia zombando, não exatamente do cinema a que me refiro, mas da precariedade roteiro X interpretação que parecem estar dando lugar as técnicas espetaculares que (para mim) só fazem barulho mas vendem (o que posso dizer, eu também contribuí...) .
A trama se passa em um futuro não tão distante, onde robôs substituíram atores nas novelas de baixo orçamento. Na peça, a situação parece engraçada e apenas inusitada. Mas o problema é que na vida real, de forma menos caricata, sinto falta dos humanos no cinema (popular), parece que se transformaram em “actóides”.

Fica a dica de Tempos de Comédia, que, apesar de conter o fator humano em seu espetáculo, com ótimo texto e interpretações, é gratuito, enquanto o cinema espetacular... bom ... deixa pra lá.

Serviço: http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_teatro_tempocomedia.asp

terça-feira, 9 de março de 2010

A novela das candidaturas


PT

De acordo com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, a Ministra da Casa Civil, Dilma Russeff, entregará o cargo entre os dias 29 e 30 de março para se dedicar à campanha presidencial. Em seu lugar assumirá a secretária-executiva Erenice Guerra, braço direito da candidata.
Dutra revelou ainda que Dilma receberá um salário em torno de R$10 mil, valor próximo do que recebe hoje como ministra - R$10.748.
Ao deixar a Casa Civil, Dilma perderá o direito de usar uma residência do governo no Lago Sul (área nobre da cidade) e, por isso, o PT também alugará dois imóveis para Dilma em Brasília: um escritório político e uma casa no mesmo bairro.

Tucanos

Do lado tucano a demora de Serra em oficializar a candidatura paralisa os planos do PSDB.
Além dos oponentes verem Dilma crescer nas pesquisas e se adiantar na questão logística da campanha, ainda ficam de mãos atadas em respeito às eleições ao governo de São Paulo.
Na capital paulistana, Geraldo Alckmin é apontado como favorito à sucessão de Serra, mas ainda, segundo o partido, não pode assumir a candidatura.
"Definir agora a candidatura do Geraldo é como dizer que o Serra, mesmo que queira sair candidato à reeleição em São Paulo, não vai ter essa chance", disse o Presidente do diretório paulista do PSDB, o deputado Mendes Thame.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A chapa tucana


Governador de São Paulo, José Serra, confirmou ontem à cúpula do PSDB que é candidato à Presidência da República.
Em evento comemorativo aos 100 anos de Tancredo Neves, o abraço entre os tucanos de Minas e São Paulo, Serra e Aécio, serviram apenas para dar ao PSDB um gostinho daquilo que é o grande sonho da maioria tucana: uma chapa com Serra e Aécio.
Porém, no mesmo evento, questionado sobre a intenção do PSDB em tê-lo como vice na chapa de Serra, Aécio disse: "Não adianta empurrar, empurrado eu não vou", frase eternizada pelo seu avô Tancredo Neves em 1985, quando foi pressionado pelo então deputado João Amazonas para assumir "posições radicais" para a época.

terça-feira, 2 de março de 2010

Padrões de manipulação na grande imprensa


Um ensaio de Perseu Abramo


1. O legado ético de Perseu Abramo e de Aloysio Biondi - por José Arbex Jr

Na apresentação, Arbex começa exaltando a mídia brasileira no sentido de sua qualidade técnica. A Rede Globo, por exemplo, pode ser equiparada com empresas de comunicação do mundo inteiro sem nada deixar a desejar. Motivo de orgulho? Não. “Azar o nosso”, diz Arbex. O poder de manipulação dessas empresas se torna gigante. Elas passam a ter em mãos a possibilidade de dar ao público apenas aquilo que lhe convêm. A guerra do Golfo, por exemplo, foi uma guerra sem mortes nem horrores na visão do povo que não tinha ou não queria ter acesso a outras fontes de informação que não os telejornais globais. Arbex expõe Abramo e Biondi como dois grandes mestres que mostraram como a imprensa constrói os fatos em base a manipulações e passa a ser “uma coluna de sustentação ao poder”. (O 4º poder)
A tecnologia traz a imprensa um novo padrão de manipulação não analisado por Abramo. A amnésia criada pela velocidade da informação.
“Se a imprensa constrói verdades e realidades irreais para manipular a população, podemos construir então uma grande enciclopédia das manipulações adotando ensinamentos de Abramo e Biondi”, finaliza Arbex.


2. A atualidade dos estudos do jornalista e professor Perseu Abramo - por Hamilton Octavio Souza

Hamilton inicia seu prefácio com breves dados acadêmicos profissionais de Abramo.
Algumas das pesquisas na área de manipulação na mídia e comparações entre a imprensa e os partidos políticos feitas por Abramo ficaram de lição para o próprio Hamilton, que foi aluno do professor Perseu Abramo.
Abramo trabalhou 15 anos como professor do curso de jornalismo da PUC-SP, de 1981 a 1996, ano de sua morte. Lecionou também na UnB e na UFBA. No campo prático, Abramo trabalhou nas redações de O Estado de S.Paulo, da Folha de S.Paulo e no Jornal dos Trabalhadores, do Partido dos Trabalhadores – PT.
Na época em que trabalhava na Folha, participou de greves que levaram a sua demissão do veículo e acompanhou criticamente o nascimento e implantação do Projeto Folha que trouxe a redação manuais e decretos.
Fala-se também de objetividade, falsa objetividade e das reais motivações que levam a imprensa a manipular a informação. Para Abramo a motivação das empresas em manipular, foge do campo econômico para reinar no campo da obtenção de poder, na lógica política.
Nisso a imprensa passaria então a adotar um discurso positivo oficial, como feito no governo FHC. Ou seja, ao invés da reportagem, a informação passa a ser as declarações do poder. A esse padrão de manipulação Abramo dá o nome de oficialismo, que mais tarde se transformaria em autoritarismo.
Esses modelos estudados por Abramo nos ajudam a entender hoje como jornalistas (egressos das universidades e conhecedores dessa técnicas) manipulam a informação por meio de ocultação, fragmentação ou inversão dos fatos. Com isso, aprendemos também a ler essas informações tentando fugir ao máximo da manipulação exercida pela imprensa.
Hamilton encerra seu texto falando da importância desse texto de Abramo, publicado junto com o texto de Aloysio Biondi para a formação de uma visão critica dos esquemas de manipulação, e para estimular a transformação e a formulação de um novo jornalismo.



3. Significado político da manipulação – por Perseu Abramo

“Uma das principais características do jornalismo no Brasil, hoje, praticado pela grande imprensa, é a manipulação da informação”.
Assim começa o texto de Perseu Abramo. Para ele, essa manipulação cria uma realidade irreal, ou seja, faz o público acreditar em uma realidade que não é real. Essa irrealidade passada como real, é na verdade a realidade que mais interessa a empresa de comunicação para a obtenção do poder segundo articulações políticas, como já comenta Hamilton Octavio Souza em seu texto.
Dito isso, Perseu Abramo passa a listar os padrões de manipulação por ele estudado.

1. Padrão de ocultação – É o padrão que se refere a ausência e à presença dos fatos reais na produção da imprensa .
2. Padrão de fragmentação – Eliminados os fatos definidos como não-jornalísticos, o resto é apresentado pela imprensa ao leitor não como uma realidade, mas como um real completamente despedaçado e estilhaçado.
3. Padrão de inversão – Fragmentado o fato em aspectos particulares, todos descontextualizados, entra o padrão de inversão que reorganiza as partes com troca de lugares, de importância. A substituição de uma pelas outras passa a criar uma realidade artificial.
4. Padrão de indução – Submetido, ora mais, ora menos, mas sistemática e constantemente, aos demais padrões de manipulação, o leitor é induzido a ver o mundo não como ele é, mas sim como querem que ele o veja.




“Padrões de Manipulação na grande imprensa”
Um ensaio inédito de
Perseu Abramo
63 páginas.
Editora Fundação Perseu Abramo.

Música


Fragmentos da época da faculdade (agosto de 2005)

Ainda não foi encontrado nenhum registro que possa dizer com exatidão quando se deu o surgimento da música. Muitos nem tentam arriscar palpites, enquanto outros acreditam que já na antiguidade, nos rituais do Homem de Neanderthal, os sons eram considerados presentes do Desconhecido e ganhavam uma conotação mágica dentro dos ritos de agradecimento, de passagens e tantos outros ainda não desvendados.

Os primeiros registros oficiais sobre a História da Música surgem na Grécia, em forma de mitologia. Conta-se que, após a vitória dos deuses do Olimpo sobre os seis filhos de Urano, foi solicitado a Zeus a criação de divindades capazes de cantar as vitórias dos Olímpicos.

À música dão-se relações ligadas ao emocional do ser humano em praticamente todas as áreas e fases de sua vida. Segundo o estudante de Rádio e TV da Universidade São Judas, Fabio Banin, a música pode levantar ou derrubar alguém. “O humor da pessoa é fundamental na escolha do que vai ouvir, tocar ou compor. À música estão ligados sentimentos, lembranças e emoções.”afirma Banin.

O grande número de bandas formadas nas épocas do colegial ou faculdade comprova isso. É na adolescência e juventude que as pessoas mais procuram meios de expressar o que estão sentindo ou até mesmo de relaxar e tentar entender-se. Muitas das atuais bandas de sucesso nasceram dessa forma como os Engenheiros do Hawaii por exemplo, banda formada por três ex-estudantes de engenharia apaixonados por surf.

As trilhas sonoras e vinhetas das programações audiovisuais passaram a contextualizar o telespectador ou o ouvinte na programação do momento e até de que horas são. Atualmente a música faz parte da teoria da Agenda-Setting - teoria que fala sobre a rede de programação em horários fixos que vicia as pessoas a eles -. “Ninguém assiste a uma novela apenas pela trilha sonora do personagem, mas a música ajuda a chamar a atenção e situar as pessoas sobre o que está passando. A pessoa ouve a música e corre para a TV. A trilha passa a servir de despertador para o telespectador.” diz Banin.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ascensão, apogeu e queda


“Por quanto tempo o maior tomador de crédito do mundo pode se manter como a maior potência?” Lawrence Summer, assessor do presidente Barack Obama.

A afirmação acima faz referência à situação econômica norte-americana atual. Com um gigantesco rombo nas contas públicas, o papel que os Estados Unidos exercem hoje no mundo pode estar em fase de transição (analisa uma longa matéria publicada ontem no The New York Times: http://www.nytimes.com/2010/02/02/us/politics/02deficit.html?hp )

Segundo a proposta do orçamento apresentada ontem, as despesas do governo dos EUA no próximo exercício fiscal vão superar as receitas em US$ 1,6 trilhão.
Esse déficit equivale a 11% do Produto Interno Bruto do país.
Acima de 3%, economistas já consideram a situação insustentável.

Para tentar reduzir esse problema os Estados Unidos têm tomado crédito de, adivinhem quem ... da China. Justamente um dos países que mais exportam ‘bugigangas’ para os EUA.

Para a China, a diminuição no consumo norte-americano representa diretamente a baixa em sua própria balança comercial, afinal, seu principal cliente já não pode consumir tanto quanto antes.

A China, por sua vez, é um grande cliente do ..... BRASIL! Automaticamente, com a baixa nas exportações da China para os EUA, menos matéria prima o Brasil irá exportar para o oriente. Engraçado não é? É por isso que hoje não podemos mais dizer: “ Cada um com os seus problemas”.

É a globalização.

Agora, balança comercial à parte, há de se verificar o seguinte:

O que a China faz hoje pelos EUA, ou seja, emprestar dinheiro para que os norte-americanos possam comprar seus produtos, já foi feito pelos Estados Unidos após a 1Guerra Mundial. (1918-1929)

Com a Europa toda bombardeada, os EUA emprestaram gentilmente seus dólares para que o velho continente pudesse, com isso, importar grande quantidade de produtos industrializados da terra do Tio Sam (Na ocasião, a reestruturação dos países europeus culminou com a grande crise de 1929).

Foi aí, inclusive, que tivemos uma troca de grande potência mundial.
Até então a Grã-Bretanha era tido como o país mais influente do mundo.

Ou seja, é fato histórico que nenhuma potência dura para sempre. Todas vivem ascensão, apogeu e queda.

Os EUA tiveram sua ascensão no entre-guerras (1918/29), apogeu na era de ouro (pós 2ºGuerra Mundial) e parece que agora viverá sua queda. Não como país rico e desenvolvido, mas sim como maior potência mundial.

Voltamos à frase: Por quanto tempo um país pode ficar tomando crédito de países (menos desenvolvidos) e continuar sendo a grande potência?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lenda índigena



Sempre gostei muito de falar. Já no jardim da infância era assim. Tenho um documento guardado pela minha mãe onde uma professora do jardim 2 dizia : “Criança atenciosa e inteligente. Porém fala demais com seus amiguinhos. As vezes atrapalha as atividades”.
Pois é. O tempo passou e pouca coisa mudou. Porém, essa minha característica, que me rendeu vários apelidos na infância, tipo matraca, por exemplo, me ajudaram a escolher minha faculdade: Comunicação.
Perfeito, não é? Vamos ganhar a vida com a voz agora. Basta falar igual aos jornalistas falam na TV. Parece fácil. É tão natural não é verdade?
Engano.
Resolvi aproveitar os cursos de férias que acontecem por essa época para me atualizar. O curso escolhido foi “Apresentador de Telejornais”, no Senac-SP.
Logo no segundo dia, aula de interpretação, com um ator e diretor de teatro. (Pois é, fazer teatro é primordial para conseguir apresentar bem um jornal).
Fila para ver quem será o primeiro a ser bombardeado pelo professor. Um a um todos teriam que gravar um texto para posterior avaliação - do diretor de teatro e não de um jornalista.
Para piorar, faríamos sem conhecer o texo. Para dificultar um pouco mais, não era um texto jornalístico. Era um poema de José de Alencar.
Na bancada, nervosismo, tremeliques e pessoas travadas.
O professor, quer dizer diretor, pedia emoção, naturalidade e até gritos se fosse preciso.
Foi uma bela experiência. Começamos pelo pior. Segundo o professor, apresentar um texto como esse sem ao menos conhecer o conteúdo, torna o resto fácil, tira a pressão.
Bom, sobrevivemos!!!

Segue texto que lemos na íntegra sobre olhares atentos dos outros alunos.

Lenda Indígena

”Foi longe, bem longe dos tempos de agora. As águas caíram, e começaram a cobrir toda a terra. Os homens subiram ao alto dos montes; um só ficou na várzea com sua esposa.
“Era Tamandaré: forte entre os fortes; sabia mais que todos. O Senhor falava-lhe de noite; e de dia ele ensinava aos filhos da tribo o que aprendia do céu.
“Quando todos subiram aos montes, ele disse:
“– Ficai comigo; fazei como eu, e deixai que venha a água.
“Os outros não o escutaram; e foram para o alto; e deixaram ele só na várzea com sua companheira, que não o abandonou.
“Tamandaré tomou sua mulher nos braços e subiu com ela ao olho da palmeira; aí esperou que a água viesse e passasse; a palmeira dava frutos que os alimentava.
“A água veio, subiu e cresceu: o sol mergulhou e surgiu uma, duas, três vezes. A terra desapareceu; a árvore desapareceu; a montanha desapareceu.
“A corrente cavou a terra, cavando a terra, arrancou a palmeira; arrancando a palmeira, subiu com ela; subiu acima do vale, acima da árvore, acima da montanha.
“A água tocou o céu; e o Senhor mandou então que parasse. O sol olhando só viu céu e água, e entre a água e o céu, a palmeira que boiava levando Tamandaré e sua companheira.
“Todos morreram. Á água tocou o céu três sóis com três noites; depois baixou; baixou até que descobriu a terra.
“Quando veio o dia, Tamandaré viu que a palmeira estava plantada no meio da várzea; e ouviu a avezinha do céu, o guanumbi, que batia as asas. “Desceu com sua companheira e povoou a terra”.
[In “O Guarani”, de José de Alencar]

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Teoria da Conspiração


Em meio as notícias do caos no Haiti e dos estragos causados pela chuva em São Paulo, uma matéria lida hoje me chamou a atenção pelo absurdo.
Para alguns pode parecer apenas mais uma ‘teoria da conspiração’.
Não sei. Tento filtrar tudo e levar em consideração as fontes e principalmente os interesses envolvidos nos manifestantes.

Então vamos tentar montar a cena:

Acusado: EUA
Acusadores: Venezuela e Rússia
Crime: Ter causado o terremoto do Haiti (isso não parece sério demais?)
Base de argumentação: Relatórios preparados pela Frota Naval Russa

Pois é, parece absurdo, não é? Lembra-me a acusação do cineasta Michael Moore no documentário “Fahrenheit” onde ele sugere (chega a ser educado o uso dessa palavra) que o 11/09 teria sido arquitetado pelo governo americano para justificar o ataque ao Iraque, e a todo o mundo islâmico.

Os trechos abaixo foram retirados do relatório feito pela Frota Naval Russa, que monitorou os movimentos e as atividades navais americanas no Caribe desde 2008, quando os EUA anunciaram sua intenção de restabelecer a Quarta Frota, dissolvida em 1950.

Trechos interessantes do relatório Russo:

“A experiência feita no Pacífico teria provocado um terremoto de magnitude 6,5 em Eureka, na Califórnia, sem vítimas. Enquanto o teste realizado no Caribe provocou a morte de pelo menos 140 mil inocentes".

“É mais que provável que Washington tivesse conhecimento total do catastrófico dano que este teste de terremoto poderia ter sobre o Haiti. Por isso posicionou seu comandante do Comando do Sul, o general P.K. Keen, na ilha. Para supervisionar os esforços de ajuda, caso fossem necessários".

"No resultado final dos testes destas armas está o plano dos EUA da destruição do Irã através de uma série de terremotos pensados para derrubar seu atual regime islâmico".

"O Departamento de Estado, Agência Americana de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e o Comando Sul dos EUA começaram a invasão humanitária ao enviar pelo menos dez mil soldados e empreiteiros para controlar, no lugar da Organização das Nações Unidas, o território haitiano após o devastador terremoto experimental".

Os trechos foram retirados do relatório da Frota Norte Russa, divulgada pela agência de notícias O Globo.

A conclussão sobre essas informações eu deixo na responsabilidade dos leitores...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

História esquecida


Às vésperas do aniversário de 456 anos da cidade de São Paulo, sítio arqueológico é encontrado durante o processo de reurbanização do Largo de Pinheiros, que espera a implantação de uma estação de metrô.

A descoberta, porém, parece não ter sido bem vista pela prefeitura de SP e pela Emurb (Empresa Municipal de Urbanização).

Irritada e preocupada com o atraso das obras, a prefeitura tenta abafar o achado com a proibição da entrada de jornalistas e câmeras. Os arqueólogos que trabalham no local também foram advertidos a não darem entrevistas.

Vários objetos como louças holandesas, francesas e inglesas já foram encontrados, além de garrafas do século XIX.

Para ver de perto a área das escavações, basta ir até a Rua Fernão Dias, 700 e olhar por entre as tábuas de madeira compensada que cercam o local.

Descobertas arqueológicas desse tipo são fundamentais para que possamos entender nossas origens, porém, parecem perder espaço para o crescimento (incansável) da nossa metrópole.

A prefeitura faz pouco caso. Só quer saber de entregar a obra prometida no prazo para não causar mais polêmicas, neste, que é um ano de eleição.

Por outro lado penso se esse ‘pouco caso’ com a descoberta não é um problema maior do que apenas um prefeito preocupado com a eleição. Segundo os arqueólogos que trabalham no local, os cartazes explicativos colocados por eles em frente ao sítio despertam pouca ou nenhuma atenção das pessoas que passam por lá.

Com a vida corrida que se leva em SP hoje, com o que será que a maior parte da população está mais preocupada? Com achados arqueológicos ou com a ampliação do metrô (que pode fazer com que as pessoas cheguem mais rápido em casa)?

É triste para um jornalista apaixonado por história como eu admitir isso, mas parece que a história do que fomos e de como chegamos aqui cai, cada vez mais, dentro do buraco negro gigante gerado pela correria do dia-a-dia da grande metrópole.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Palavras infelizes



Em matéria veiculada ontem pelo SBT, o cônsul do Haiti no Brasil George Samuel Antoine, sem saber que estava sendo gravado, fez comentários racistas, infelizes e demonstrou total descaso pelos acontecimentos em seu país.

Perguntado sobre o terremoto, o cônsul mostrou-se otimista: “A desgraça de lá está sendo uma boa para agente aqui, fica conhecido”, afirmou o diplomata.

Após isso, ainda culpou a população negra da ilha pela desgraça ao afirmar que o terremoto pode ter sido causado por macumba: “Acho que de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo (...) O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano ta f...”

George possui mais de 100 familiares no Haiti e nenhuma notícia deles.

Segue link da reportagem:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2010/01/14/04021B3266D4990326.jhtm?consul-haitiano-afirma-que-o-africano-em-si-tem-maldicao-04021B3266D4990326


Um pouquinho de história

O país hoje considerado o mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo - pelo menos 80% da população vive em condições de extrema pobreza – já foi, no século XVIII, a mais próspera colônia francesa nas Américas, graças à exportação de açúcar, café e cacau.

Já no século XX, tropas dos EUA dominaram a ilha durante 20 anos sob a alegação da defesa de interesses próprios, o que acabou levando ao poder um governo ditador que castigou e trouxe mais pobreza ao povo haitiano. (Papa Doc e Baby Doc ).
- Qualquer semelhança com o fato descrito acima e os governos ditatoriais no resto da América Latina não são mera coincidência, são os interesses norte-americanos acima dos direitos de se ser humano.

Parece que alguns países ricos de hoje tem uma grande dívida com esse povo caribenho, não acham?
Reconstruir o Haiti é, antes de mais nada, uma obrigação dos EUA e União Européia.